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O setor dos carros elétricos começou o ano de 2023 com notícias positivas. De um lado houve um significativo crescimento no emplacamento de eletrificados no país e, ao mesmo tempo, recentes declarações do Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), mostram interesse do novo governo no investimento do setor. Porém, especialistas ainda apontam a falta de projetos reais para o segmento.

Para Ricardo David, diretor da Elev, empresa especializada em soluções para todo o ecossistema dos carros elétricos, o Brasil precisa de estruturação e incentivo. "O investimento na infraestrutura de recarga e os incentivos fiscais são fundamentais para o crescimento do mercado de eletrificados no Brasil. Sem uma estrutura de recarga sólida, fica difícil para os motoristas optarem pelos veículos elétricos, pois eles precisam se preocupar em encontrar pontos de recarga durante suas viagens. Além disso, os incentivos fiscais são importantes para atrair as montadoras para produzirem veículos elétricos no país, o que pode gerar empregos e impulsionar a economia", afirma.

O novo governo anunciou planos de investimento no setor de eletromobilidade, o que foi visto como uma surpresa para a indústria, principalmente pela ausência de iniciativas similares durante o governo anterior. Embora o tema não tenha sido incluído no plano de governo do presidente Lula, nas últimas eleições, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que pretende incentivar a tecnologia e a indústria de veículos elétricos no país.

"Estamos apenas no início do governo e ainda há muito o que esperar. Porém, tenho a convicção que o reconhecimento da necessidade de um plano nacional é de grande importância para o setor. Mas ainda aguardo propostas concretas, principalmente conversando com os empresários que estão investindo no setor", declarou Ricardo David.

Em 2022, o mercado de veículos leves eletrificados no Brasil registrou um total de 49.245 unidades comercializadas, 41% a mais do que em 2021. Entre os destaques do ano estão os meses de dezembro e setembro, que foram os dois melhores da série histórica da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), com 5.587 e 6.391 emplacamentos, respectivamente. Além disso, houve uma venda recorde de veículos totalmente elétricos a bateria, com 8.460 unidades vendidas, o que representa 17% do total de eletrificados do ano. O total inclui automóveis e comerciais leves híbridos, híbridos plug-in e totalmente elétricos. "O número de veículos elétricos ainda é pequeno quando comparamos com outros países, como a China e a Noruega. Estamos muito atrás na corrida pela eletrificação", afirma Ricardo David.

Os elevados impostos nos preços de carros elétricos e a ausência de incentivos fiscais para a produção local de veículos elétricos são obstáculos para o crescimento do mercado de eletrificados no Brasil. Além disso, a infraestrutura de recarga é insuficiente, com cerca de 2,8 mil carregadores públicos e semipúblicos disponíveis no país, segundo os dados da ABVE.

Além disso, os híbridos leves continuam sendo os mais vendidos, com 30.439 emplacamentos em 2022, o que representa 63% do total de eletrificados comercializados no período. "Essa é uma exemplificação de como a população ainda aguarda por uma maior estruturação, principalmente quando falamos de eletropostos. Investimentos nessa área e incentivos fiscais são medidas fundamentais para desenvolver esse setor. A população aguarda por uma estrutura mais robusta, especialmente no que diz respeito ao número de eletropostos disponíveis", declarou o especialista.

A indústria de veículos elétricos no Brasil ainda está em fase inicial, mas tem grande potencial de crescimento. O governo e empresas privadas precisam trabalhar juntos para desenvolver uma infraestrutura de recarga e criar incentivos fiscais para a produção de veículos elétricos no país. Além disso, é importante promover a conscientização dos consumidores sobre os benefícios ambientais e econômicos de optar por veículos elétricos.